The Boys e a desconstrução do que significa ser herói

CINEMA E TV

Allison Medina

1/2/2026

Desde o primeiro episódio, The Boys deixa claro que não está interessada em contar mais uma história tradicional de super-heróis. Em vez disso, a série usa figuras conhecidas da cultura pop para questionar poder, imagem pública e a facilidade com que ídolos são criados — e destruídos.

Fonte: Amazon/Promocional

O choque inicial não vem apenas da violência ou do humor ácido, mas da sensação constante de que algo está profundamente errado por trás das capas e sorrisos.

Quando o heroísmo vira produto

Um dos pontos centrais da série é a transformação dos heróis em marcas. Cada ação, discurso ou resgate é pensado como parte de uma estratégia de marketing.

Nesse universo, salvar pessoas importa menos do que manter uma boa imagem. A consequência disso é um distanciamento perigoso entre poder real e responsabilidade, algo que a série explora sem sutileza — e sem pedir desculpas.

O perigo de heróis sem limites

Diferente de outras produções do gênero, The Boys parte da ideia de que poderes extraordinários, sem controle ou consequência, levam inevitavelmente ao abuso.

A série não trata isso como exceção, mas como regra. Quanto mais influência um personagem possui, maior é a distorção moral que o acompanha. O resultado é um mundo onde a maior ameaça não vem de vilões clássicos, mas de quem deveria proteger.

Violência como linguagem narrativa

A violência em The Boys raramente é gratuita. Ela funciona como um choque proposital, lembrando o espectador de que viver em um mundo dominado por “deuses” seria tudo menos seguro.

Ao exagerar, a série não busca apenas impactar, mas expor o absurdo de glorificar figuras poderosas sem questionamento.

O público como parte do problema

Outro aspecto frequentemente discutido é o papel da sociedade dentro da narrativa. Multidões aplaudem, defendem e justificam atitudes claramente condenáveis — desde que a imagem pública permaneça intacta.

Nesse ponto, The Boys deixa de ser apenas uma sátira de super-heróis e se aproxima de uma crítica direta à cultura da idolatria.

Quando o cinismo revela verdades incômodas

Apesar do tom ácido, a série não é vazia de significado. Pelo contrário: ao abraçar o cinismo, ela expõe fragilidades humanas que muitas histórias preferem ignorar.

O desconforto faz parte da experiência. Não há heróis perfeitos, nem soluções simples — apenas escolhas ruins e consequências inevitáveis.

Por que The Boys continua relevante

Mais do que subverter um gênero, The Boys conversa com o momento atual. A relação entre poder, mídia e influência nunca foi tão visível — e a série usa esse cenário para contar uma história que vai além do entretenimento.

No fim, talvez o maior mérito de The Boys seja lembrar que questionar ídolos é tão importante quanto criá-los.