O que faz Frieren tocar o público de uma forma tão diferente

ANIMES

Allison Medina

1/11/2026

À primeira vista, Frieren e a Jornada para o Além parece seguir um caminho familiar dentro da fantasia: heróis, magia e um mundo moldado por grandes batalhas. Mas rapidamente fica claro que o anime escolhe outra direção — uma muito mais silenciosa.

Em vez de acompanhar a glória do auge, a história começa depois do fim. E é justamente aí que ela encontra sua força.

Uma fantasia construída a partir da ausência

O ponto central de Frieren não está nas batalhas que já aconteceram, mas no vazio deixado por elas. A protagonista, imortal, precisa lidar com algo que nunca aprendeu a compreender: o tempo humano.

Cada episódio trabalha pequenas lembranças, encontros breves e despedidas definitivas. O impacto vem da simplicidade, não do espetáculo.

O tempo como tema principal

Diferente de outros animes de fantasia, aqui o tempo não é um obstáculo narrativo — é o próprio tema. Décadas passam entre cenas, e personagens envelhecem ou desaparecem enquanto Frieren permanece.

Esse contraste cria uma reflexão constante sobre memória, arrependimento e a forma como damos valor às pessoas apenas quando elas já não estão mais presentes.

Personagens que crescem fora da ação

O desenvolvimento emocional não acontece durante grandes confrontos, mas em gestos cotidianos: ensinar um feitiço simples, visitar um túmulo, caminhar sem pressa.

Essa escolha narrativa aproxima o anime de um tom quase contemplativo, raro dentro do gênero.

Por que Frieren se destaca entre tantos lançamentos

Em um cenário dominado por histórias rápidas e cheias de estímulos, Frieren aposta na pausa. Ele confia que o público está disposto a sentir, não apenas consumir.

Esse ritmo mais calmo não afasta — pelo contrário. Ele cria conexão, especialmente com quem busca algo além do padrão.

Quando o silêncio diz mais do que a ação

Frieren mostra que fantasia não precisa ser grandiosa para ser profunda. Às vezes, basta observar o que sobra depois da aventura.

É nesse espaço, entre lembranças e despedidas, que o anime constrói sua identidade — e explica por que ele permanece na conversa mesmo sem recorrer ao óbvio.

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