O jogo nunca termina? Como os updates constantes mudaram a ideia de “jogo completo”
GAMES
Allison Medina
1/31/2026
Por muito tempo, existia um acordo silencioso entre quem criava jogos e quem jogava: o produto chegava pronto. Você comprava, instalava e vivia a experiência do início ao fim. Hoje, esse conceito parece cada vez mais distante. Updates constantes, patches de balanceamento, temporadas, eventos limitados e conteúdos prometidos “para depois” levantam uma questão inevitável: a era dos jogos completos chegou ao fim?
Quando “lançamento” virou apenas o começo
Jogos modernos raramente são encarados como obras finalizadas no dia um. Cyberpunk 2077, No Man’s Sky e Battlefield 2042 são exemplos claros de títulos que chegaram ao mercado incompletos — e foram reconstruídos ao longo do tempo.
Em alguns casos, o suporte contínuo salvou a experiência. Em outros, consolidou a sensação de que o consumidor está pagando para testar algo em andamento.
Games como serviço: evolução ou dependência?
O modelo de games as a service redefiniu a indústria. Jogos como Fortnite, Destiny 2, Genshin Impact e Call of Duty funcionam como plataformas vivas, não como produtos fechados.
A vantagem é clara: mundos em constante expansão, comunidades ativas e novidades frequentes. O custo oculto, porém, é a perda da sensação de conclusão. Não existe mais “fim”, apenas ciclos.
Atualizações que corrigem… ou completam?
Existe uma diferença sutil — e importante — entre atualizar e terminar um jogo. Patches para corrigir bugs sempre existiram, mas hoje muitos updates parecem cumprir promessas básicas que deveriam estar no lançamento.
Isso levanta uma dúvida incômoda: estamos aceitando jogos inacabados porque nos acostumamos a esperar?
O impacto no jogador e na memória da obra
Jogos clássicos eram lembrados como experiências fechadas. The Legend of Zelda: Ocarina of Time, Shadow of the Colossus ou Resident Evil 4 existiam em versões definitivas.
Já jogos modernos mudam tanto ao longo dos anos que a versão “original” praticamente deixa de existir. O que exatamente estamos avaliando quando dizemos que um jogo é bom: o lançamento ou o estado atual?
A pressão do mercado e dos acionistas
Boa parte dessa mudança vem de fora do desenvolvimento criativo. Prazos apertados, metas financeiras e a necessidade de manter relevância constante empurram jogos para o mercado antes de estarem prontos.
O update vira solução estrutural, não exceção.
Existe caminho de volta?
Curiosamente, o sucesso de jogos single-player fechados como Elden Ring, Baldur’s Gate 3 e The Last of Us Part I mostra que ainda existe demanda por experiências completas, polidas e com começo, meio e fim.
Talvez o problema não seja a existência de updates — mas a dependência deles para justificar um lançamento.
O futuro dos jogos: obras vivas ou experiências concluídas?
É possível que o futuro seja híbrido. Jogos que chegam completos, mas continuam vivos por escolha, não por necessidade. Atualizações como expansão, não como correção de promessas.
No fim, a pergunta não é se os jogos mudaram. Eles mudaram. A questão é até que ponto estamos dispostos a aceitar que “completo” agora significa “em construção”.


Fonte: Battlefield 2042 / Divulgação
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